sábado, 12 de março de 2011

O suplício da Coruja

O ser humano acorda na modernidade do chamado pesadelo medieval, ou período que muitos chamaram de idade das trevas, que por sinal aprendemos com os historiadores a questionar essa determinação. A personagem da nossa história é a Coruja da Deusa Minerva que inspira o renascimento de um novo homem capaz de vislumbrar a sua capacidade de conhecer.
A coruja de Minerva passa convidar a humanidade a despertar da verdade absoluta religiosa. Mas, o convite é entendido pela metade, pois o sonho de Minerva era impulsionar a interação entre o conhecimento humano, a sociedade e a natureza. A pobre Deusa e sua Coruja são induzidas, devido ao convite, a um pesadelo, pois a humanidade substitui a verdade Medieval religiosa pela sonhos dogmáticos na personificação do eu, da subjetividade. Por esse motivo, a coruja, nossa personagem, vai embora para a morada dos deuses.
O homem moderno voltasse para a sua própria morada, ou seja, o indivíduo, que sonha emancipar a si mesmo, não pensa mais na sua condição social e de ser integrante da natureza. O pesadelo de Minerva é intensificado quando o conceito de razão, que a ela dizia respeito, passa ser apresentando como razão de ser da consciência individual e, ao mesmo tempo, o homem acomodasse em uma razão calculista, que associa meios e fins.
No entanto, abandonado pela coruja de Minerva ou da Sabedoria, o ser humano esquece de colocar a si mesmo como finalidade indispensável. O conhecimento passa ser uma forma de dominar a natureza, criar riquezas. Para piorar a situação, a deusa e a coruja enfrentam a amargura de não servirem de orientação para a conduta humana e ironicamente o homem produz o conhecimento suficiente para o seu esquecimento.
A coruja de Minerva heroicamente tem esperança. Entretanto, seu intento cai por terra, o homem é mais sonhador e coloca na finalidade da existência a produção técnica, pois o conhecimento considerado importante é aquele que é capaz de produzir riquezas, de dominar a natureza e a si mesmo. Por isso, Minerva reclama pelo fato do conhecimento humano não criar e recriar o homem na sua totalidade. Por esse motivo, a técnica, sem orientação por fim autêntico da existência, apenas movimenta a engrenagem que passa sobre o homem como um rolo compressor, que aos poucos vai matando a consciência do existir e do motivo de existir. Isso não é mais importante. A grande importância está em equacionar a produção, de visualizar a utilidade. Desse modo, racionalizar significa somar, dividir, estabelecer objetivos para fazer as corporações crescerem.
Em um lamento agonizante, a coruja suplica para o pensar da existência, sobre que espécie de racionalidade tornou-se o valor absoluto e inquestionável, quais os motivos de derrubar a verdade e o dogma do Deus medieval se homem não é capaz de viver sem verdades absolutas, pois a coruja de minerva percebe, por meios de suas habilidades, que a humanidade apenas trocou uma verdade por outra e a soberania do indivíduo não é a soberania da autentica dignidade humana. A ciência não produz nada importante se olhar do homem não for para sua condição. A coruja de Minerva suplica e questiona quem é você humano, cuja consciência está reduzida a equação do mercado. O suplicio é assustador, pois a deusa minerva perdeu seus poderes para Hades. Em contrapartida, no mundo da utilidade e "real", o homem é medido pelo valor do mercado, pela utilidade que representa. Nessa equação, o humano passa  não ter mais importância. A coruja afastasse para templo dos deuses carregando o lamento da humanidade que perdeu-se a si  mesma. 

2 comentários:

  1. Carlos weinmnan
    O grande segredo para a plenitude é muito simples:compartilhar, um individuo que compartilha seus saberes torna-se digno da plenitude,digno da razão,digno do amor...o mesmo individuo

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  2. Que tal pensarmos nisso: "A vida é uma arte cuja grande finalidade não é ficar rico,mas viver bem. A felicidade é um estado de espírito impulsionado pela inquietação constante. "ser ou não ser?" Não é uma mera questão, pois temos aqui a consciência de ser, do sentido, não basta a existência; faz-se necessário ser, ter a dignidade de ver-se como humano, somente como tal, não é necessário grandes vitórias, prestigios, riquezas, o importante é simplesmente ser, ter uma dignidade maior do que uma melância"

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